Maria Fernanda

“Como os oceanos tinham níveis muito baixos de água, era possível caminhar do sul da Inglaterra até a França, e continuar andando. Se não fosse impedido por outros humanos, até chegar a Java”. (livro: Uma breve história do mundo). Então fico imaginando como há coisas a aprender na geografia de nossa história. Esse é um planeta que ainda retém riquezas que não se pode avaliar. Cada leitura vem repleta de abastanças... Repensar na crueldade do homem com tudo isso é o caos. Cada um fazendo a sua parte era utopia demais, e o quadro ficou exposto sem cuidado e a paisagem começa a borrar nas laterais, meio e... Fim? Eu suponho que até os primórdios já viviam a saga. Caminho em alerta. Descrever a fundo teria que exigir experiência. Tornasse nômade por descobertas. Amo o planeta, isso eu bem sei dizer. E cada dia vale o investimento porque pouco oferecimento não me move. ✿Maria Fernanda✿

o amor é um elo

quarta-feira, 7 de junho de 2017

No nosso Final






Noite... você sabe que não vai me deixar dormir,
mas não posso ir além do permitido.
Os muros estão por todos os lados, porque minha vontade é apenas estar aqui. Não vou lhe brindar com um poema hoje,
ele sairia mais dor que poesia.
Olho para este céu que tanto amo e as estrelas não estão por lá,
talvez elas estejam correndo em planetas, mundos diferentes,
talvez estejam camufladas.
Ou quem sabe dentro dos corações escurecidos.
Lembro que houveram dias em que eu não conseguia conter tanta alegria,
quando havia brilho demais em meu coração.
As coisas estão dessemelhantes, mas ainda consigo sorrir.
Não estou inteira, embora achem que não precise recolher os pedaços aqui do chão. Existem muitas coisas lindas aí Deus, e sei que elas trabalham em meu coração de um jeito gigante. Mas olhando o céu, é onde quero estar.
É quando viajo no tempo e recordo ocasiões mágicas.
Se eu pudesse desejaria uma máquina do tempo só por dois minutos. Sim sei que é impossível, e quer saber? Eu também não saberia usá-la por tão pouco tempo.
Fato é, que muitas vezes acho que perdi o amor e ele se perdeu de mim.
Mas compreendo... Essa luta eu já perdi quando um olhar tão triste se fechou pra sempre e levou com ele a mais bela estrela que já havia tocado. Uma história que junto à minha se liquefez.
Há muitos corações iguais ao meu, lá fora, ao longe dessa noite.
As batalhas que eu sabia eu lutei entre o dia e a noite, segurando a mão do amor entre minhas mãos. Eu sou uma menina grande demais, e uma pequena mulher que luta com a coragem da menina. Meu pensamento se embaraça, no entanto, meu coração voa leve como pluma até o Céu esta noite.
Deixe que eu toque a “minha” estrela só por um momento. Deixe que eu possa sentir a sua luz. Tivemos tão pouco para caminhar e tanto com o que continuar o caminho.
Há nuances em todo céu,
é uma bela noite...
E o gosto de um amor meio doce-de leite.
Afago o coração que bate em meu peito, há lágrimas que teimam em cair.
Se houvesse uma segunda chance eu queria viver tudinho outra vez.
O castigo no milho, a chuva, o frio, a fome...
Só para ser feliz no nosso final.

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Texto e imagem:
M, Fernanda


Véus





Conheço de perto a agilidade do tempo.
Ainda assim fecho meus olhos
e você abraça tudo que posso lhe dar
Então nesse momento, sou uma poesia a deriva no teu amor


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M. Fernanda
Imagem: Minha

terça-feira, 23 de maio de 2017

Lua





Olhares
Esmiúço o tempo 
E a leve brisa da tarde toca suave lembranças.
Uma dança cadenciosa na balada de teus beijos,
Um ruborizar cor vida
Entre arpas de anjos.
Uma centelha de mel para um leve adocicar.
Salta um coração esperança
Entre o vermelho existencial.
Um mar onde a poesia navega
Em dedos ilusórios que delineiam amor,
Pronto!
Concedido o milagre
E o som das gaivotas
Sobre o linho e a melodia.
Felicidade...
Em minutos e a porta entreaberta se fecha,
Rebelião entre nuvens e um sol brilhante se vai.
A lua se mostra um pouco arredia e surpreendente
E a noite passeia em um coração com suas lembranças.
Arredia, admirável e cheia de mistérios.
Efeito imediato para
Dizer que não é banal.



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Poema e imagem:
Maria Fernanda

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Vida bonita


Se você analisar
a vida é bem mais bonita

quando você se sente amado.
O amor é o contraveneno para tudo.
Cura feridas
afaga  corações
distribuí o que contém.
Muitas vezes nem sabemos como agir
mas o coração nos leva até lá.
Precisamos de AMOR

 como o mundo precisa de sol.
Precisamos de AMOR

como do ar que respiramos.
Ele nos faz mais unidos
nos da compreensão
deixa tudo mais bonito

 porque é belo seu semblante
e misericordioso seu coração.
Não ensina a dividir

mas multiplicar sem medidas.
Vejo minhas orações voarem junto as nuvens
vão ao ouvido do AMOR. 
ELE que me deu abrigo

 quando me vi tão sozinha
e dividiu comigo 

esperança
acalanto
fé.
Fez com que eu

observasse as estrelas
e sentisse que seu lar

também era meu.
E quando a chuva caia
me molhava e
o frio amedrontava
suas mãos  me aninhavam
e seu abraço me aquecia.
Meu coração sabia disso 
eu sentia o carinho de Deus
como ainda sinto.
Hoje renasço a cada dia

 ainda mais com seu cuidado
Ele me ensinou

 a combater aquilo
 que não nos ajuda a crescer
e eu aprendi.
E quando vejo um dia cinza
 eu pinto um arco-íris.



Maria Fernanda
Imagem: Minha


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quarta-feira, 26 de abril de 2017

O anjo



(Texto criado sábado, 26 de fevereiro de 2008)

Aquele que ela via na sua infância, não se perdeu, nem desviou o caminho quando ela não contava até dez.
Nas lembranças ela sentia a sua mão afagando sua face quando o frio da noite gelava a pontinha do seu nariz, ou quando a chuva molhava sua roupa e seu corpinho tremia de frio, ela sentia um abraço que esquentava sua alma, era ele, era ele!!!
O anjo era seu melhor companheiro, não importava as outras crianças rirem só porque ela falava sozinha, ela sabia que ele estava lá com seus cabelos encaracolados e sua roupa azul cor do céu, e aquelas asas que lhe fazia voltar para casa levando notícias da menina para Deus.








Um dia ela perguntou a seu amiguinho o que era um anjo da guarda.
Ele rapidamente lhe respondeu com as mãos suavemente em sua face: um mensageiro de Deus.
E Deus tem muitos mensageiros?
- Sim
E o que faz um mensageiro?
- Cuida.
Até quando?
- Até sempre!
Protege de tudo?
- Protege.
Então onde estão meus pais?
Fez uma carinha triste, depois passou a mão na cabeça da menina e lhe disse.
- Olhe para o céu, está vendo todas aquelas estrelas?
Estou.
- Deus as fez daquela forma para brilhar e iluminar a terra.
É?
- É.
- Quando você nasceu, ele te fez exatamente para o amor.
- Colocou no teu coração a certeza, a fé, a delicadeza, a verdade, a compaixão, a humildade.
E a pessoa que Deus cria assim, não tem pai e nem mãe?
- Alguns têm, outros não.
Por quê?
- Sabe o que é o livre arbítrio?
Sei, há dois caminhos, ser bom, ou mal.
- Exatamente!
Com tantas dificuldades você escolheu o melhor caminho, o do amor.
Mas eu não escolhi, ele já estava lá.
- Não, você semeou.
- Talvez tivesse sido diferente se tivesse uma cama quentinha, tudo fácil.
O que quer dizer tudo fácil?
- Aquilo que o homem mais procura, algo sem esforço algum.
Ah...
Porque eu te vejo e outras crianças não?
- Porque você acredita.
Então você sabe onde estão meus pais?
- Sei
Então vamos lá encontrar eles?
- Para tudo há seu tempo menina.
O que quer dizer isso?
- Que na hora certa você os encontrará.
E se eu crescer e eles não me conhecerem mais?
- Não se preocupe, o amor sempre acha o caminho.
- Por agora precisa dormir.
Tá, mas você vai ficar aí?
- Vou, sou seu anjo da guarda.
Então você é um guarda?
- Digamos que sim.
Mas os guardas da Terra têm armas.
- Mas os anjos também têm.
É?
- É.
Mostra-me?
O anjo então abriu os braços e a menina viu uma luz bem forte no seu coração.
O que é isso?
- Isso é amor.
- Esta arma desarma qualquer mal.
Então quero ter uma desta.
- Você já tem!
A menina sorriu e se aninhou nos braços do amiguinho.
Boa noite anjo.
-Boa noite menina!


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M. Fernanda





quinta-feira, 20 de abril de 2017

A flor





(Texto criado segunda-feira, 13 de setembro de 2010)
Imagem: Minha

Fiquei triste...
Era pra sentir alegria eu sei, mas fiquei triste.
Não entender o outro às vezes é um fator estranho.
Poderia ser diferente, se você compreendesse meus motivos, mas você não entenderia se dissesse. Talvez tivesse seu próprio conceito, ou julgamento.
Sempre gostei de escrever, entre outras coisas, gosto da companhia das palavras.

Quando ela falou na frente do Adriano:
“Está todo prosa com a Fernanda Adriano, sabe de onde ela veio? ”.
O que quis dizer que eu não entendi? Pedi licença ao moço e fui me afastando para outro banco. E como se não bastasse ela passou a mão na minha flor e a jogou no chão, dizendo que era ridículo usar aquilo no cabelo.

Seus olhos tinham uma coisa que não soube explicar,
mas me deu vontade de chorar e eu chorei.
Não foi pela frase que usou não.
Isso não me afeta, porque sei que lá embaixo na lama, ou nas calçadas, existem pessoas dignas que só não tiveram a oportunidade que você teve ou a dádiva de ter tido colo, esse que você não dá valor.

Eu vim de alguém que com certeza amou e amou muito, porque conseguiu gerar um ser que também ama independente de qualquer atitude do outro. Já te disse uma vez que estamos dividindo o mesmo espaço, com objetivos diferentes, o meu é aprender. O seu, me diga lá?

Mesmo assim a diferença não nos torna especiais, somos feitos da mesma imagem e semelhança de um Deus que é amor de todas as formas, portanto não há essa coisa de querer ser melhor ou pior.

Você e eu somos iguais para escolher onde devemos estar. Apenas nossas atitudes são diferentes.
A flor que uso nos cabelos é um elo que tenho com alguém especial para mim, não a uso para enfeite somente.

Mesmo assim ela enfeita porque é uma flor linda e merece destaque, por ser uma obra divina. Eu sei que o sorvete vai sair da minha blusa quando eu lavar, vou fazer isso quando chegar em casa. Sei também que você está zangada e não teve tempo para contar até dez, por isso atirou o sorvete em mim.

Cléo está tudo certo! Se a flor incomoda você, amanhã passo a vir sem ela, posso usá-la quando for para casa, mas acalme-se.
Como eu falei há pouco, chorei pelo fator amizade, hoje mesmo escrevi no Aleatoriamente, meu blog, sobre isso, e chego aqui, sou recebida com seus chiliques de menina mimada.

Você não vai atingir o seu objetivo, se é brigar o que quer. Não sou de brigas, nem nunca serei. Estou triste porque não queria que fizesse essas coisas, isso é tão feio e não nos acrescenta em nada.

Ela - “Teu lugar não é aqui”, frase doída, mas veio em minha direção como uma faca.
Tudo bem! Meu lugar não é aqui, mas permita que seja apenas esse ano. Ano que vem vou procurar outro que faça parte de mim.
Por agora eu preciso ficar.

Professor – Cléo deixa a Fernanda em paz!
O que acontece contigo é que, precisa trabalhar esse lado egoísta, o que te incomoda nela, não é que ela tenha vindo de onde veio, mas ela ser do jeito que é.

Bom... Eu nem vou escrever as coisas lindas que ele falou de mim, mas fiquei tão feliz de ouvir. Além dele, os outros amigos estavam fazendo um círculo, e me deixando no meio para minha proteção suponho, e eu assustadíssima!
O professor juntou minha flor do chão e recolocou no meu cabelo, a bichinha estava toda murchinha, mas voltou a colorir meus cabelos, e Cléo saiu da sala e foi embora.

Espero que amanhã ela esteja melhor. Espero que seu anjo da guarda a abrace bem forte para que ela possa sentir uma felicidade enorme e chegue sorrindo. Ela tem um sorriso tão bonito, deveria sorrir mais vezes.

Volto pra casa refletindo na frase dela.
“sabe de onde ela veio”?!
Ah Cléo, o que sei é que havia muitos obstáculos por onde eu passei até chegar aqui.
De onde eu vim eu não lembro, ainda assim me esforço um bocado, para sentir aquele rostinho parecido com o meu. Aquele afago que devo ter recebido antes de ser deixada onde vivi.
Depois...
Refleti melhor e percebi que: ao invés de triste eu deveria era estar dando pulos de alegria. Sabe por quê? Porque eu vim de Deus! E foi exatamente isso que falei no banco do ônibus em voz alta, e uma senhora que vinha do meu lado bateu palmas e disse é isso mesmo querida, você veio de Deus.

Desci no ponto e venho vindo para casa, quando ouço: Fernanda, tem empada!
Ah é?
É. E está quentinha, te esperando, junto com o cafezinho.
Ah seu Marcelo, muito obrigada!
Ele - Obrigada nada, dá aqui um beijo.
Dei um beijo nele e lá vem dona Joana, hei é só ele que ganha beijo é? Quem fez a empada e o café fui eu!

Ah tá bom, então vem cá, tasquei um beijo nela.
Então os dois me puseram no meio e ganhei dois beijos, inteirinhos só pra mim! rsrsrsr...
Tão bom esse carinho...
Amizade... Amizade... Amizade...
Existe... Existe... Existe!!!
Não estou mais triste



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Com leveza e segurança, caminha a sinceridade.
E o coração ditando todas as regras sem preconceitos.

(M.Fernanda)

sábado, 15 de abril de 2017

Base

 (Texto criado em um domingo, 22 de maio de 2011)
Imagem: Net


Numa canção eu sonhei longe.
E foi sonhando acordada que acarinhei a liberdade na medida exata.
É inaceitável uma criança ser alforriada de um orientador na vida.
Sem ter quem lhe ensine as estações,
Como afagar a vontade de merecer um pouquinho do normal, a qualquer bambino.

Como aprender, sem se machucar muitas vezes?
E se saber voltar para quem?
Muitas vezes sentava nas praças e via as mães chegarem com seus filhotes.
Algumas com eles num carrinho tão lindo, outras segurando na mão. Algumas crianças preferiam soltar-se e ir ao encontro do melhor brinquedo do parque.

Eu observava, lá num cantinho do banco, como um bichinho assustado.
Não com as pessoas, mas com o merecimento de não poder ir até lá brincar, eu não sabia se podia.
Para mim os brinquedos tinham donos, eram das crianças que tinham pais.
E pensava assim, por susto e falta de explicação.

Um dia eu estava brincando no escorrega e uma menininha, me mandou sair porque eu estava suja. Ainda tentei argumentar eu lembro, mas a sua babá me pegou na orelha e me fez descer. Xô menina, isso aqui não é pra você!
Sem jeito e com o ouvido doendo eu desci e fui sentar num cantinho do banco.
Então de lá eu via a menininha brincando com outras crianças, e vez em quando a moça lhe levava água, ou suco, não tenho certeza, mas era algo por certo muito bom de sorver, pois ela degustava bem devagar e passava a língua nos lábios.

De repente um menino vem até mim e me chama para brincar de bola, fico toda animada, então pulo do banco e me preparo para segurar a bola que ele me lança. A mãe dele tomou antes de chegar nas minhas mãos e disse a ele, “quer ser roubado?”
Se perder esta bola não te compro outra, não vê que essa menina é de rua? Eu até então não sabia que eu era uma menina de rua, sabia que era diferente, mais nunca havia pensado naquela forma.
Então afastei mais ainda e fiquei sentada perto da quadra de esportes, pensando.

O que é uma menina de rua?
Será que eu tenho alguma coisa ruim?
Então é por isso que ninguém me deixa brincar?
Será que é por isso que eu choro tanto?

Um senhor passa por mim e diz: menina quer ganhar um troco?
Eu - Não senhor.
Ele - Então não está com fome?
Eu - Sim estou.
Ele - E não quer ganhar um sanduíche?
Eu - É de comer?
Ele - Ri e diz, sim é de comer.
Eu - Então eu quero.
Ele - Então me ajuda a catar latinha aqui na praia e depois agente come tá?
Eu - Ta bem!

Então depois de muitas latinhas ele compra um pão cheio de coisas dentro, umas das coisas eu olhei e pedi para ele retirar de lá, era mortadela. Não como carne lhe disse.

Ele - Porquê?
Eu - Tem um anjo que é meu amigo, ele disse que eu não posso de maneira nenhuma comer carne de boi.
Ele - Ah, e esse anjo sabe onde é sua casa?
Eu - Sabe.
Ele - Onde?
Eu - Por enquanto na rua.
Ele - Você fugiu de casa?

Pausa...
Olhar no chão, medo de me levar de volta para o orfanato.

Eu - Ah senhor, esse negócio aqui ta tão bom!
Ele - Já sei menina, você deve ter fugido de casa, acertei?

Silêncio...

Ele - Escuta, qual é seu nome?
Eu - Fernanda.
Ele - Escuta Fernanda, seus pais devem estar muito preocupados contigo, melhor me dizer onde mora, e eu te levo para casa. Daqui a pouco vai estar escuro e é perigoso uma menininha assim feito você ficar sozinha na rua.
Eu - Não tenho pais.
Ele - Não pode ser, uma menina linda feito você, deve ter uma família.
Eu - Eu não tenho moço, agora preciso ir.
Ele - Não vá menina, quer ir comigo para casa?
Eu - Não senhor.
Ele - Então amanhã vá lá para onde te encontrei que te dou café da manhã.
Eu - Ta bom!

No outro dia lá estava eu, esperando o café da manhã.
Não demorou seu Olavo chega, era esse seu nome.
Então comi pão e café preto e fomos catar latinha.
Passamos próximo aos brinquedos e às crianças que estavam brincando.
Fiquei olhando os brinquedos.

Ele disse, vá menina brinque em um.
Eu - Não posso senhor, esses brinquedos não são para criança como eu.
Ele - Mas o que tem você de diferente?
Eu - Sou uma menina de rua. E eles têm medo de pegar isso.
Ele - Quem lhe disse isso Fernanda?
Eu - Uma moça ontem.
Ele - Escute aqui menina! Você tem o direito de brincar em qualquer um desses brinquedos, está entendendo?

Silêncio...

Ele - Olhe para mim, menina somos todos iguais perante Deus, não deixe ninguém lhe dizer o contrário. Você pode brincar em todas as praças que quiser, estes brinquedos não pertencem apenas às crianças com lares, pertencem por direito a todas as crianças.
Então vá lá que eu fico te olhando daqui, vá!

Eu - Senhor, eu prefiro quando todos estiverem ido embora.
Ele ficou observando e depois...
Ele - Está bem então.
Fomos ao trabalho e depois na volta brinquei bastante em todos os brinquedos.
Ele disse menina, me diga a verdade.
Ele - Onde é sua casa?
Eu - Já disse, é na rua.
Ele - Mas como alguém iria ter coragem de largar uma menina tão graciosa na rua?
Eu - Não largaram na rua senhor, foi num orfanato.
Ele - Ah!!!

Ele - Então você fugiu de lá não foi?
Eu - Sim.
Ele - Está bem agora vamos arrumar um lugar para se banhar e limpar esse rosto.
Eu - Eu já me banhei senhor.
Ele - Mas como menina, seu rosto está todo preto de sujo!
Eu - Não é sujo, é graxa.
Ele - Porque passou graxa no rosto?
Eu - O anjo mandou.
Ele - Que anjo é esse?
Eu - Esse que está aqui ó!
Ele - Para quê?
Eu - Para ficar protegida.
Ele - Bom, está bem.
Ele - Acho que vou precisar levar você comigo, para que não fique por aí sozinha.
Eu - Senhor não precisa, mas obrigada. Já vou amanhã eu volto para tomar café e catar latinha.
Ele - (Sorriu) Está bem menina, que Deus cuide de você.
Eu - Ele está cuidando, pode deixar.

Volto das lembranças e enxugo as lágrimas.
Não deixe meu Deus, uma criança sem lar, por favor!
Um lar é um castelo de príncipe ou princesa.
Onde os donos são o rei (pai) e uma rainha (mãe).
Um dia, irei ajudar com certeza nessa parte.
Vejo os filhos sem direções até tendo seus pais ao lado.
Alguns sem instruções e fazendo filhos sem a noção e base para educá-los.
Devia haver palestras nas praças, nas escolas, nas feiras, enfim precisamos dar base a quem não as tem.
Não gerem filhos por gerar.
Um filho é um presente divino, deve ser ensinado de maneira certa, deve ser amado e educado.
Escrevo e luto por essa causa, porque um dia quero que meus filhos saibam nos mínimos detalhes o que é o amor e sua base.


Maria Fernanda
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Obs: Casei-me aos 15 anos com um moço maravilhoso
adotamos três crianças logo que nos casamos.
Maria Clara, Jose e Manuela.
Logo depois fiquei gravida e tive trigêmeos Aischa, Kaleb e Kalil
Tenho 20 anos hoje e estou viúva a dois.
No entanto penso em adotar mais algumas crianças se Deus quiser.
Quem tem, reparte com aquele que não tem.
Semear amor é essencial.